Circularidades

de familiares de pessoas em situação de privação de liberdade a mulas e traficantes de drogas

  • Juliana Melo Unb
Palavras-chave: Visitantes de familiares presos, Traficantes, Aprisionamento feminino

Resumo

Houve um aumento expressivo do encarceramento feminino no Brasil, sobretudo em virtude do tráfico de drogas ou associação a ele. A maior parte das mulheres aprisionadas, contudo, são provenientes de contextos de vulnerabilidade (em termos sociais, econômicos e raciais) e se inserem na estrutura do tráfico de maneira secundária e marginal. Não obstante, parecem se constituir como alvo principal dos sistemas de justiça criminal, cuja ênfase é a seletividade penal e a violência institucional. A partir do relato de mulheres apreendidas em flagrante por tentarem entrar em estabelecimentos prisionais do DF com drogas em seus próprios corpos quando visitavam seus parentes, pretendo abordar esse contexto. Pretendo ainda demonstrar a ineficácia das políticas repressivas e proibicionistas adotadas no Brasil em relação às drogas (na medida em que não coíbem o tráfico) e, ao mesmo tempo, sua eficácia (quando se transformam em ferramentas para efetivar o controle social da pobreza, sua feminilização e legitimar um emaranhado de brutalidades que constitui esse sistema).

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Biografia do Autor

Juliana Melo, Unb

Doutora em Antropologia Social e Professora Associada I do Departamento de Antropologia e do Programa  de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Publicado
2020-05-27
Como Citar
Melo, J. (2020). Circularidades: de familiares de pessoas em situação de privação de liberdade a mulas e traficantes de drogas. Revista De Estudos Empíricos Em Direito, 7(2), 48-68. https://doi.org/10.19092/reed.v7i2.468