A gestão do Poder Judiciário sob a ótica de ex-conselheiros: análise da relação entre o CNJ e a Justiça Estadual de 2004 a 2013

  • Leonel Gois Lima Oliveira Escola Superior de Magistratura do Estado do Ceará

Resumo

O objetivo de pesquisa consiste em analisar a interação do CNJ com os tribunais estaduais em busca de melhorar os níveis de eficiência da Justiça Estadual no período de 2004 a 2013 na ótica dos ex-conselheiros. Os principais questionamentos a serem respondidos foram:  De que forma os esforços e ações realizados pelos Tribunais de Justiça estaduais para se adequaram as exigências do CNJ visando à melhoria da eficiência da prestação jurisdicional? Em que medida tem ocorrido uma convergência de esforços e alcance de resultados entre o CNJ e os Tribunais Estaduais para a melhoria da eficiência? Foram entrevistados 20 ex-conselheiros, adotando-se a análise temática ou categorial como forma principal de técnica de análise de conteúdo. As categorias estabelecidas para análises foram relacionadas ao predomínio de divergência (desconfiança e resistências), ao predomínio de convergência (aceitação e integração) e à alternância de cenários (relativismo e contexto de autonomia). De forma geral, os respondentes apontaram a existência de uma convergência de esforços entre o CNJ e os Tribunais de Justiça estaduais que foi sendo fortalecida na medida em que o desconhecimento e a desconfiança sobre o CNJ foram se dissipando. Percebeu-se que a relação de convergência e divergência apresenta alternâncias cíclicas, pois o entendimento alterar conforme a percepção de perda de autonomia por parte dos tribunais.

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Biografia do Autor

Leonel Gois Lima Oliveira, Escola Superior de Magistratura do Estado do Ceará
Doutor em Administração pela FGV/EBAPE. Mestre em Administração pela UECE. Graduado em Administração pela UFC. Professor da ESMEC.

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Publicado
2019-12-30
Como Citar
Oliveira, L. G. L. (2019). A gestão do Poder Judiciário sob a ótica de ex-conselheiros: análise da relação entre o CNJ e a Justiça Estadual de 2004 a 2013. Revista De Estudos Empíricos Em Direito, 6(3), 194-211. https://doi.org/10.19092/reed.v6i3.407